PÁGINAS

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A ARTE DE OUVIR



Essa é uma crônica escrita por Rubem Alves, no próximo post farei um breve comentário. Dei uma aula sobre esse tema na EBD da Nazareno Anchieta.

Deus abençoe vocês

Thiago Vitor

    De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar...” A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

    Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

    Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.

    O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.

    Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...”

    Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.

    Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.

    Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar.

RUBEM ALVES

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

QUANDO A IGREJA NÃO É "IGREJA"


. . . . . TEXTO ESCRITO POR CAIO FÁBIO . . . . .

    Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver, que crê sempre no amor de Deus; e, sobretudo, é algo para gente que confia, que entrega, que não deseja controlar nada; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe.

    Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo.

    Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim.

    Se o pastor é assim, tudo ficará assim.

    Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e, assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno.

    Em igreja há problemas, é claro; afinal, tem gente.

    Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.

    Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado, adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público, ladrões são ajudados a não mais roubarem, corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu, e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas; ou seja: com silencio que passa, mas, ao mesmo tempo, não abre espaço.

    Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje. E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado. Ele é livre para discordar e sair. Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo.

    Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

    Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

    Igreja é um problema?

    Sinceramente não acho.

    Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro - então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro.

    Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência.

    Não é teoria.

    Pode ser assim em todo lugar.

    Mas depende de quem seja o pastor.

    E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito.

    Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado, não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

    Pense nisso!

    CAIO FÁBIO

    11 de setembro de 2009, Lagoa Norte - Brasília - DF

domingo, 6 de dezembro de 2009

ALMA - SEDE DOS AFETOS, SENTIMENTOS E PAIXÕES




Obs.: Continuação do Texto "TEMPLO DE DEUS"

C O M O  E S T Á  A  S U A  A L M A  H O J E ?

    Essa pergunta faço a você neste dia, como está a "sede de todos os safetos, sentimento e paixões de sua vida?
    A pouco tempo escrevi a respeito de algo que estava entristecendo meu coração; uma dor profunda em minha alma, consequência de uma batalha, estava me deixando perturbado. Incomodado, indignado e inconformado; os motivos para que minha alma se encontrasse tão aflita eram muitos; mas nada surpreendente.
    O que muitos cristãos ainda não entendem, é que o "ser humano" tem um corpo, uma alma e um espírito, e que está alma, também sente dores; como já disse um amigo em seu blog que me inspirou a escrever sobre isso, Pr.David Junior: "(Temos que) aceitar que dentro (de todos nós) existe uma alma, que tem dores, quer chorar, e às vezes quer dizer para si que sente abandonada ao invés de viver na hipocresia sorridente só porque dizem que deve ser assim". 
    Volto a fazer está pergunta: COMO ESTÁ A SUA ALMA HOJE?
    Sinceridade, é o que Deus espera de nós, Mateus 6.8 Jesus diz: "Não vos assemelheis, pois, a eles 'os gentios', porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes". Ser sincero, é se expressar sem intenção de enganar; porque então ainda fingir ou enganar-se com uma falsa alegria, quando Ele (Deus-Pai) conhece tudo aquilo que se passa dentro do interior de cada um de nós?
    "Hoje" tenho paz, minha alma respira novamente aliviada, as dores (hoje) se foram, as lágrimas foram enxugadas; posso sorrir, verdadeiramente, posso sorrir!
    Quando sinceramente orei, meu amado Pai tocou meu coração!

C O M O  E S T Á  A  S U A  A L M A  H O J E ?

Um abraço

do amigo

THIAGO VITOR

p.s. Discutido na Aula da EBD dia 06 de Dezembro 2009 pela manhã na Igreja do Nazareno Anchieta.